Michael Richards, conhecido como “Kramer” na sitcom “Seinfeld”, fez há algum tempo atrás uma actuação num clube de standup comedy chamado Laugh, em Los Angeles. Até aqui tudo bem. O problema foi quando Richards disse uma piadas de carácter racista que alguns dos espectadores afro-americanos, que assistiam à actuação do Kramer de Seinfeld, não gostaram de ouvir. Vai daí os ofendidos responderam, o cómico exaltou-se em palco e acabou por agravar a situação, gritando palavras de ordem racistas. Digamos que a situação ficou um pouco fora de controle. O vídeo amador da actuação em questão demonstra bem a forma como a situação ultrapassou os limites. Se realmente estão interessados no desenvolvimento desta história, vejam esta reportagem sobre o acontecimento.
Uns dias mais tarde, Michael Richards teve oportunidade para se desculpar através do programa de entretenimento “Late Show”, em que o convidado principal era Jerry Seinfeld.
Tive conhecimento desta história através de uma mensagem de email que recebi, cujo conteúdo supostamente não é mais do que discurso de defesa Michael Richards em tribunal, em consequência de queixas levantadas contra ele.
Como o email é uma das maiores fontes de invenções de histórias que já conheci até hoje, resolvi ir à Web procurar informações acerca deste caso, mais concretamente de dados que confirmassem as palavras de Richards e que vão ler de seguida. Se quiserem…
Não encontrei nada relativamente à sua defesa em tribunal, mas apercebi-me que o caso foi sério. Muito sério. Daí que, apesar de não ter a certeza se o que vão ler foi realmente dito por ele, arrisquei em colocar aqui o texto que recebi.
Até porque, sendo ou não verdadeiro, o discurso de defesa não deixa de ser interessante.
«Existem Afro-Americanos, Americanos Hispânicos, Americanos Asiáticos, Americanos Árabes, etc. E depois há os apenas Americanos. Vocês têm o United Negro College Fund. Se nós tivéssemos o WET [White Entertainment Television] seríamos racistas. Eu tenho orgulho.
Vocês passam por mim na rua e mostram arrogância. Chamam-me White boy, Cracker, Honkey, Whitey, Caveman …e está tudo bem. Mas quando eu vos chamo Nigger, Kike, Towel head, Sand-nigger, Camel Jockey, Beaner, Gook, ou Chink, vocês acusam-me de ser racista. Quando vocês dizem que os brancos cometem muita violência contra vocês, então por que razão os guetos são os sítios mais perigosos para se viver?
Vocês têm o Martin Luther King Day.
Vocês têm Black History Month.
Vocês têm o Cesar Chavez Day.
Vocês têm o Yom Hashoah.
Vocês têm o Ma’uled Al-Nabi.
Vocês têm o NAACP.
Vocês têm o BET [Black Entertainment Television]
Se nós tivéssemos o Dia do Orgulho Branco, vocês chamar-nos-iam racistas. Se tivéssemos o mês da História Branca, éramos logo taxados de racistas.
Se tivéssemos alguma organização para ajudar apenas brancos a andarem com a sua vida para frente, éramos logo racistas.
Existem actualmente a Hispanic Chamber of Commerce, a Black Chamber of Commerce e nós apenas temos a Chamber of Commerce.
Quem paga por isto?
Uma mulher branca não pode ser a Miss Black American, mas qualquer mulher de outra cor pode ser a Miss America.
Se nós tivéssemos bolsas direccionadas apenas para estudantes brancos, éramos logo chamados de racistas.
Existem por todos os EUA cerca de 60 colégios para negros. Se nós tivéssemos colégios para brancos seria considerado um colégio racista.
Os pretos têm marchas pela sua raça e pelos seus direitos civis, como a Million Man March. Se nós fizéssemos uma marcha pela nossa raça e pelos nossos direitos seríamos logo apelidados de racistas.
Vocês têm orgulho em ser pretos, castanhos, amarelos ou laranja, e não têm medo de o demonstrar publicamente. Mas se nós dissermos que temos “Orgulho Branco”, vocês chamam-nos racistas.
Vocês roubam-nos e disparam sobre nós. Mas, quando um policia branco dispara contra um preto de um gang ou detém um traficante de droga preto, vocês chamam-no racista.
Mas vocês chamam-me racista.
Por que razão só os brancos podem ser chamados de racistas?»

Embora nunca com esta fluidez, também já pensei bastante nisso.
Se eu “tenho” de achar piada às anedotas sobre mulheres, sobre terceirenses e sobre loiras, por que me hei-se sentir inibida quando ouço (ou conto) uma anedota sobre um negro? Não é essa uma característica como outra qualquer?
Eu via a reportagem sobre este incidente, no entanto devo frisar que o Michael Richards, não estava só a fazer piadas sobre pretos, mas direccionou os seus insultos para um grupo de pretos que assistia ao espectáculo.
Considero que dizer-se piadas sobre alguma raça não é só por si mau, mau é direccionar-mos essa piada a um individuo, e foi isso que se passou.
humm.
o caso aqui não é assim tão simples quanto este senhor quis colocar.
na realidade todos estes organismos não seriam necessários, se todos os outros funcionassem de forma igual para toda a sociedade. e os próprios “dias e marchas de orgulho” deixariam de fazer sentido se a sociedade (maioritariamnete branca, católica, e heterosexual) tratasse de forma igual todos os outros elementos dessa mesma sociedade.
o que na realidade continua a acontecer é que existe a sociedade. e depois existem as chamadas minorias.
numa sociedade ideal, fazer piadas sobre a cor da pele, local de nascimento, sexualidade, e outras coisas devia ser banal e não ofensivo.
Gostaria de deixar aqui um reparo, visto que ninguém parece conseguir perceber o fundo desta questão. Sinceramente, acho que a questão está a ser posta completamente ao contrário. É de facto verdade tudo o que “Kramer” supostamente disse em tribunal. É também normal que qualquer pessoa que viva “apenas” nos dias de hoje ache completamente disparatados os complexos das chamadas minorias. Porque será? Eu passo a explicar, segundo aquilo que acredito: Os africanos- são perseguidos e escravizados pelo homem branco à cerca de, pelo menos, 500 anos. Os índios- foram expulsos da própria terra e concentrados em zonas remotas também à cerca de 500. Os judeus- são perseguidos à mais de 5.00. E não falo apenas dos EUA. Portanto, depois de centenas de anos a serem perseguidos, (os quais levaram a que os descendentes ouvissem sempre as mesmas histórias dos seus ascendentes sobre o “bicho mau branco”) é normal que por mais que já não seja tão notório, ainda haja, mesmo que inconsciente, um sentimento de inferioridade vivido não só pelos negros mas por todas as minorias em geral. De qualquer maneira, não há dúvida que é nos EUA que existe mais igualdade entre raças. E mesmo na Europa, que tem uma história de convivência entre diferentes raças/etnias muito mais longa, (Portugal; Inglaterra; França; Espanha; Alemanha; Itália, etc), mesmo assim, ninguém acredita que nalgum destes países venha a haver, num futuro próximo, um presidente negro. No entanto, 99% dos negros votaram em Obama enquanto 45% dos caucasianos seguiram o mesmo exemplo? Serão os negros racista porque quase nenhum votou no Mcain? Talvez. Serão os brancos que votaram em Mcain racistas porque não votaram em Obama? A maioria, visto que foram os estados do interior que votaram maioritariamente em Mcain e como toda a gente sabe, são estes os estados mais fechados em termos de mentalidade e com maior taxa de racismo. Para concluir, acho que sim, já está na altura dos negros na América deixarem os complexos para trás, porque cada vez mais não “são iguais” porque não querem. Mas que não se lhes pode tirar aquilo que lhes foi passado de geração em geração é óbvio, mas isso apenas o tempo pode fazer “esquecer”. Agora, no resto do mundo, ainda temos muito que aprender, e progredir em termos de igualdade de direitos.
Cumprimentos.
vi agora no maquinadelavax.blogspot uma frase interessante: “estamos a entrar na ditadura do politicamente correcto”