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O protesto para além da morte

Pelo que se sabe, no dia 20 de Junho de 2009, Neda Soltani e o professor de música que a acompanhava, estariam presos num engarrafamento e decidiram sair do carro devido ao calor que se fazia sentir. Levados pela curiosidade, decidiram aproximar-se um pouco, muito pouco, de um dos grupos de manifestantes que nos últimos dias têm feito das ruas de Teerão o palco do seu descontentamento, em consequência das eleições ocorridas há dias no país, as quais, e está confirmado, foram alvo de irregularidades e de ilegalidades – aparentemente não as suficientes para que seja necessário anular o último acto eleitoral, segundo o Conselho dos Guardiões, o órgão máximo legislativo do Irão.
Neda foi atingida por um tiro de um sniper das milícias Basij. Morreu dois minutos depois, enquanto o professor a tentava consolar, encorajando-a a não ter medo.
Segundo Caspian Makan, um turco de 37 anos, fotojornalista e namorado de Neda, as únicas manifestações em que ela terá participado ao longo da sua curta vida de 26 anos, foram aquelas em que o manifestante faz do silêncio a sua arma.

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O silêncio de Neda Soltani tornou-se rapidamente numa referência para todos os que se mantém fieis às linhas de frente das manifestações, enfrentado as forças da ordem iraniana.
No dia 20 de Junho de 2009, dia em que a ordem imposta à força pelo regime de Teerão silenciou Neda, morreram outras nove pessoas durante os confrontos, se não estou enganado. Mas os protestos continuam. Continuam para além da morte.

Categories: Mundo
  1. 24/06/2009 ás 23:49 | #1

    Não sei até que ponto a informação que nos chega é manipulada, mas sei que um regime que invoca um credo ou recorre à falta de liberdade para controlar a consciência e as actividades do seu povo, esse mesmo regime não deve existir, com Neda ou sem Neda. manipulações ou não, o regime iraniano é doente e gerador de injustiças em que o seu povo, consciente ou não, é a principal vítima como Neda.

  2. Miguel Bettencourt
    25/06/2009 ás 00:00 | #2

    @geocrusoe
    Também fico “com um pé atrás” com alguma frequência em relação à informação que chega até nós. Neste caso as fontes a que recorri nunca me deixaram mal.
    Em relação ao problema que o povo iraniano enfrenta, à semelhança de tantos outros idênticos e em muitos casos piores, questiono-me se Deus andará distraído com outras coisas. Que Ele me perdoe, mas se não é isso, então deve estar farto.

  3. 25/06/2009 ás 16:28 | #3

    Este mundo está cheio de pseudo-democracias…
    Quem chama democracia ao regime que impera no Irão está totalmente enganado, aquilo de democrático não tem nada… só se for os cartões de voto…
    A Venuzuela também é um país democrático!?? Certo!?

    Excelente post!

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