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Black or white?

Sem pretender ofender todos os fãs do artista e, em simultâneo, reconhecendo o valor do trabalho que ele desenvolveu ao longo de toda a sua carreira, juro que não percebo o espanto que invade os corações de todos os que choram a sua morte. Michael Jackson‎ não era imortal pá, acordem! A sua música permanecerá viva para sempre, acredito, agora o homem, enquanto ser vivo, era como qualquer um de nós – nasceu, viveu (ou tentou, pelo menos) e morreu. Foi-se, pronto. Ninguém gosta, mas fazer o quê?

Aliás se pensarmos bem, Michael Jackson‎ há muito que morreu. Alguém que leva uma vida de completo isolamento não está muito longe da morte. Ou está? Um homem que preferiu levar uma boa parte da sua vida escondido do sol para não estragar a sua nova pele, quando podia ter gozado de forma saudável a riqueza que amealhou ao longo dos anos graças ao seu dom, não pode estar muito vivo. Ou pode? Um homem que pagou milhões em indemnizações para calar a boca a quem o acusava de pedofilia, escondendo-se na sua Neverland, a qual existia apenas e só para ele, poderia estar na melhor das hipóteses meio-vivo, digamos assim.

Agora Michael Jackson está morto, realmente morto. Ainda não passaram 24 horas após a sua morte e o título de sobrenatural que lhe era frequentemente atribuído começa a ganhar uma nova forma, uma nova vida. Como diria um amigo meu: a morte de um homem é uma tragédia, a morte de milhares é uma estatística. – nada mais certo.

Muitos poderão afirmar que ele foi vítima do seu próprio sucesso – do seu precoce sucesso – e que mais não fez do que tentar agradar a tudo e a todos desde que, com apenas cinco anos de idade, começou a cantar e a dar os primeiros passos de dança com os seus irmãos. É possível, acredito que é possível. Assim como acredito que nos próximos dias estarei afastado dos canais noticiosos e da blogosfera nacional, internacional e intergaláctica, não vá a febre no mito tocar a minha, já de si também, frágil sensibilidade.

Categories: Diversos
  1. 26/06/2009 ás 13:49 | #1

    Não tenho uma opinião tão incisiva quanto a tua (possivelmente ossos do ofício) – acho que há muita coisa que ficará para sempre por esclarecer.
    A nível profissional duvido que ele pudesse regressar “em grande” como se anunciava. A nível pessoal a coisa é simples: tanto quanto sabemos – para além de qualquer dúvida razoável – é que este homem deixa filhos pequenos, irmãos e, se não estou em erro, a mãe.

  2. Miguel Bettencourt
    26/06/2009 ás 16:02 | #2

    @Menina da Rádio
    … e o pai.

  3. madail ávila
    28/06/2009 ás 18:09 | #3

    Caro Miguel:
    De todos os post que tenho lido sobre o assunto, este será, muito provavelmente, o que relata melhor a realidade….
    Muito bom artista sim… como pessoa tenho as minhas dúvidas.
    Critico sobretudo o exagero, principalmente nas “qualidades angelicais” que lhe atribuem depois de morto….
    Um bom exemplo disso é o orgulho que a comunidade negra tem nele, inclusive no dia da sua morte vieram dizer que antes de Oprah Winfrey e de Obama, vinha o orgulho em Michael Jackson‎… estranho! Este mesmo artista pelos vistos não tinha orgulho na sua comunidade… simplesmente mudou de cor.
    Aparte disso, as músicas ficarão para sempre! O jeito inovador para a época também… a pessoa, pelo facto de estar morta, muito provavelmente vão lembrar-se das qualidades. Os defeitos serão eternamente esquecidos.

  4. Rui
    29/06/2009 ás 17:42 | #4

    Tenho ouvido muito falar (e escrever) sobre MJ. Esta é a primeira vez que me pronuncio.
    Sim, gosto das suas músicas e da pessoa em si. Mas quando o defendo, faço-o com conhecimento de causa. Quando oiço pessoas dizerem que ele não tinha orgulho em ser negro, que se refugiava e não vivia etc, vejo que não pesquisam o mínimo possível e falam por ouvirem falar. Em relação a mudar de cor, MJ tinha uma doença (vitiligo) que lhe causava manchas brancas na pele. Visto que em alguns casos, a doença se dispersa por quase todo o corpo, em muitos desses casos opta-se por clarear o resto do corpo. Segundo, em relação ás acusações de pedofilia, MJ foi acusado de 11 crimes e considerado inocente dos mesmos 11. Visto que todas as pessoas suspeitas são inocentes até se provar o contrário, não façam julgamentos por conveniência. MJ começou a refugiar-se muito mais desde que teve filhos, visto que queria proteger o melhor possível estes. É óbvio que fez bastantes erros, mas a maior parte daquilo que o acusam não faz qualquer sentido.
    Por fim, vejo em MJ um exemplo para muitos e se é verdade que errou muito, também é verdade que tinha virtudes muito acima de seres humanos, assim como nós, medianos.

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