Já lá vão uns cinco anos desde que iniciei a minha participação na blogosfera. O blog que me fez perder a virgindade blogosférica era totalmente dedicado à informática e não passava de um espaço onde eu limitava os posts à apresentação e apreciação de software destinado a todos os tipos de utilizadores, do menos experiente aos profissionais da informática.
As fontes para os meus posts eram muitas – ainda hoje consulto-as diariamente – e o blog acabou por tornar-se num exemplar típico dos blogs impessoais, afinal eu limitava-me a transcrever aquilo que já estava escrito em muitos outros blogs ou sites, mas dando um toque aqui e ali, nem que fosse apenas uma opinião acerca da solução apresentada no post.
Mas eu queria mais. Queria fazer do meu blog algo verdadeiramente meu. Não fui para meias medidas e apaguei o extinto mcb|info. Apenas alguns dias mais tarde nasceu esta espécie de diário a que chamei carinhosamente de mb|Weblog – o meu Bobby de estimação virtual. O resto vocês já conhecem (caso sejas um estreante por aqui, isto é, se chegaste cá agora pela primeira vez, visita as páginas “Arquivo” e “v.2″, porque não estou para relatar o que tem sido a vida deste blog desde o dia em que nasceu).
Conheço bem a blogosfera nacional (a que me interessa, claro está), incluindo a açoriana, e frequento com regularidade muitos blogs internacionais. Posso dizer-vos que hoje em dia faço por informar-me da actualidade nacional e internacional quase exclusivamente na blogosfera. E existem excelentes blogs onde podemos ter acesso à informação de uma forma tão ou mais credível do que nos sítios online de muitos jornais, além de que muitas das análises efectuadas na blogosfera à sociedade, passando pela política e pelo desporto, sem esquecer a cultura e a arte nas suas mais variadas formas de interpretação, são em muitos casos do melhor que se pode ler e, posteriormente, reflectir. Perdoem-me a franqueza e a falta de modéstia, mas fiz (e faço) por frequentar uma blogosfera saudável e livre guerrilhas e paneleirices da parte de quem faz desta esfera uma espécie de WC público. Falo concretamente de uma boa parte da blogosfera açoriana. Já lá vamos.
Todos os que frequentam este mundo, bloggers, visitantes e curiosos, cedo perceberam o potencial da blogosfera. Cedo perceberam que esta vertente da Web 2.0 é um espaço de divulgação de informação sem precedentes, um espaço de partilha de conhecimentos extremamente rico e um espaço de opinião por excelência – o que por si só não significa a excelência da opinião, nem da forma como esta é transmitida, nem tão pouco dos objectivos que acompanham quem a transmite.
Mas tudo o que a blogosfera tem de bom, pode ser, e é efectivamente, usado para adulterar as suas principais características e deitar por água aquilo que ela significa em si. Falo da forma como a blogosfera, uma boa parte da açoriana concretamente, afinal é aquela que está geográficamente mais próxima de mim (se é que podemos colocar as coisas nestes termos), se transformou numa ferramenta ao serviço dos interesses partidários. Digamos que se antes havia quem colasse cartazes, agora há quem escreva na blogosfera (com todo o respeito por aqueles que colavam cartazes por lealdade à ideologia em que acreditavam). Porém, o objectivo dos responsáveis partidários pouco mudou: instrumentalizar os júniores e servirem-se deles para fazer passar a mensagem numa escala mais abrangente.
No meio de tudo isto, tenho a sensação de que a malta que intervém directamente na politicosfera (políticos e aspirantes ao estatuto) não tem a noção da real dimensão do mundo virtual que eles tentam galgar a qualquer custo. É um espaço muito pequeno, fechado em si próprio, e não é com atitudes como as que começam a surgir que vão alargar os seus horizontes politiqueiros, do mais mesquinho que se pode encontrar – pior mesmo só as gajas que se fazem passar por boazonas no hi5.
Enfim, como em muitos outros casos, também a blogosfera começa agora a ficar manchada por políticos que tentam a todo o custo não perder o poder, e por pseudo-políticos, ou aspirantes a políticos, que ambicionam alcançar esse poder.
Na política, a coragem não se demonstra, nem se transmite, atrás de um teclado. Transmite-se assumindo-se uma identidade fiel aos valores humanos e aos princípios democráticos.
Na blogosfera, a coragem não se demonstra, nem transmite, através do insulto baixo e barato sob o anonimato nas zonas destinadas aos comentários. Transmite-se assumindo-se a própria identidade.