Nos dias de hoje, onde o acesso à informação está à distância de um clique, não se justifica que muitos jornalistas transmitam, através dos orgãos de comunicação social, pois claro, notícias cujos conteúdos levam os cidadãos menos informados acerca do assunto noticiado a deduzirem que “alhos e cebolas são a mesma coisa”.
O que custa a qualquer pessoa que queira estar devidamente informada – principalmente quem trabalha no jornalismo, pois tem a obrigação de transmitir a informação com rigor e de acordo com a verdade dos factos – procurar informar-se, fazendo se necessário uma filtragem dos dados recolhidos na sua pesquisa, separando as informações correctas das menos correctas, de forma a estar devidamente esclarecida antes de noticiar o que quer que seja? Nada. Não custa nada. Não é uma questão de perder tempo, em meu entender, pois o saber não ocupa espaço, e o acesso à Internet, por exemplo, será pago no fim do mês, independentemente do número de pesquisas que se fazem.
Isto a respeito do 18º Congresso Internacional World Wide Web, a decorrer em Madrid.
A quantidade de confusões que já ouvi e li, esta manhã, em duas estações de rádio e em três jornais, deixou-me preocupado. Não apenas pelos erros no conteúdo da notícia em si – para muitos cidadãos e utilizadores de computador é indiferente se “Internet” e “World Wide Web (www)” têm conceitos diferentes, o que eles querem é que aquela merda funcione. O que me preocupa realmente é a possibilidade de ouvir ou de ler uma qualquer notícia, cujo conteúdo não me seja familiar, ou em relação ao qual eu não tenha conhecimentos suficientes de forma a poder interpretar o assunto da forma mais correcta.
Senhoras e senhores jornalistas, cujas reportagens eu não tive o prazer de ouvir e de ler esta manhã: Internet e World Wide Web são coisas diferentes. Estão interligadas, é verdade, mas se pretendem fazer o vosso trabalho com o mínimo de rigor, por favor não misturem “alhos com cebolas”. Evitem cair nesse erro, independentemente da notícia que pretendem transmitir.
Uma curiosidade:
“WorldWideWeb” (sem espaços entre as três palavras) foi o primeiro web browser e editor HTML (HyperText Markup Language) WYSIWYG (What You See Is What You Get) e corria numa plataforma NeXTSTEP. Foi conhecido em 1991, pelas mãos do cientista britânico Sir Tim Berners-Lee.
Mais tarde este web browser foi renomeado para Nexus, de forma a evitar confusões com World Wide Web (com espaços).