Gosto muito dele… mas tem um problema: não emite ruído!
No passado mês de Julho troquei de carro ao fim de quase nove anos a conduzir um Citroen Saxo 1.1, um automóvel fiel com um excelente motor que nunca me deixou mal.
Nas semanas que antecederam a decisão que tomei relativamente ao veículo que veio a substituir o Saxo, equacionei quatro hipóteses que me foram apresentadas. Venceu um exemplar da segunda geração do actual modelo híbrido da Toyota, o Prius. E acreditem quando vos digo que não foi nada difícil optar por este veículo ecológico.
Tratou-se de uma proposta de negócio interessante, tendo em conta as vantagens que o Prius apresenta: é económico, seguro, confortável e ecológico. Mais, associado a estas características temos ainda uma interessante tecnologia que torna o Toyota Prius num autêntico gadget – como diz o meu sogro em tom de brincadeira: “desligas um computador e ligas outro”.
No que à tecnologia diz respeito dou-vos apenas um pequeno exemplo: o sacana do carro estaciona sozinho, sendo que o condutor apenas tem de controlar com o travão a velocidade com que é feita a marcha atrás. De resto é tirar as mãos do volante e confiar nos cálculos efectuados pelos sensores do bicho. E vão por mim, podem confiar à vontade.
Mas vamos ao que considero efectivamente interessante e importante no Prius: o facto dele ser ecológico, amigo do ambiente portanto.
Graças à Tecnologia Híbrida (sistema de energia renovável, que inclui dois tipos diferentes de tecnologias que produzem o mesmo tipo de energia, no caso concreto do Prius falamos da transformação de energia cinética em energia eléctrica), concretamente ao sistema Hybrid Synergy Drive (HSD), o Prius não só produz emissões mais reduzidas e é mais económico, como referi anteriormente, mas também é completamente silencioso quando trabalha apenas em modo eléctrico. Isto é proporcionado por uma gestão inteligente do fluxo de energia gerada pelos dois motores do automóvel, um a gasolina e outro eléctrico, tendo como consequência uma optimização dos diferentes aspectos da condução – aceleração, estrada aberta, travagem e pára-arranca. Vejam este exemplo prático para uma melhor compreensão das vantagens da tecnologia HSD (fluxo de energia, economia de combustível, som e emissões).
Mas tudo isto tem um problema:
De uma forma geral as pessoas estão cada vez mais sensíveis às questões ambientais, em todas as suas variantes. Compreendem e não ficam surpreendias com o facto de um automóvel possuir unidades de potência inovadoras e amigas do ambiente. Mas acontece que em relação à ausência de ruído a coisa muda um pouco de figura – diz-me a experiência dos últimos quatro meses ao volante do Toyota Prius.
Desde que possuo carta de condução nunca tive tantas oportunidades para atropelar pessoas como agora. Riam-se, riam-se à vontade, mas o facto é que ao volante de um híbrido quando movido apenas pelo motor eléctrico convém ter cuidados redobrados. É que quem vai a pé na rua pura e simplesmente não ouve o carro a aproximar-se nestas condições – que o diga o atleta que ia a correr na nova marginal da Praia da Vitória e resolveu atravessar a estrada de repente sem verificar se algum carro se aproximava, ou a senhora que ia descansada da vida no meio da rua e ouviu uma buzina vinda do nada (algo que evito fazer, mas por vezes há que pregar um susto de forma involuntária a quem não se apercebe que tem atrás de si um veículo a circular a 5 Km/h há já cerca de 2 minutos).
Casos como os dois referidos são o pão-nosso-de-cada-dia, com menos incidência para os candidatos a atropelamento, é verdade e ainda bem. Mas nos parques de estacionamento é um terror – faço uso da buzina e assusto o(a) senhor(a) ou vou aqui a gramar com ele(a) até que se decida a sair do meio da via? Talvez um pequeno e suave encosto nas pernas… uma coisa assim sem querer empurrar à bruta.









