“My language is very expensive for your mouth” – Publicado a 14 de Maio de 2008 [Link]
Numa tentativa de internacionalização do mb|Weblog, decidi que o título deste post seria escrito em inglês. E assim foi.
Nós, portugueses, somos quase todos uns tesos. Cada vez mais tesos. No entanto temos algo extremamente valioso: a língua portuguesa. A nossa língua é rica no vocabulário, é rica nas distâncias percorridas pelos quatro cantos do mundo, desde que os nossos antepassados resolveram aventurar-se por mares desconhecidos em busca de um futuro melhor para os seus descendentes – engraçado… um futuro melhor para nós, que estamos tesos ao fim de uns séculos. A língua portuguesa é ainda rica no significado que dá a sentimentos, como saudade, por exemplo.
Não pensem que vou aproveitar este momento para criticar o tão conhecido e actual acordo ortográfico, não é esse o objectivo deste post. Prefiro não falar agora do assunto que tantas palavras ditas e escritas tem lançado para a opinião pública. Prefiro falar de palavras e de expressões verbais tão tipicamente portuguesas. De tal forma que só poderiam ser atribuídas à língua portuguesa.
Não sei como é convosco, mas eu, quando cometo uma faux pas¹ (termos que designam acções ou palavras impensadas que involuntariamente causam constrangimento ao autor e/ou às pessoas a ele próximas – Link ²) justifico-me sempre com a desculpa que a língua portuguesa é uma língua traiçoeira. E se repararem nos pseudo-intelectuais, estes arrematam a expressão referida com o toque final «mas é uma língua rica meu caro». Temos palavras e expressões que são só nossas, só para nós têm “aquele” significado especial. Veja-se mais uma vez a força da palavra saudade. Haverá algum outro sentimento que seja tão forte, sincero e genuíno, quer pelo que representa na nossa forma de estar na vida quer na palavra que o designa? Uma coisa é sentir falta, outra é sentir saudade. Perguntem a um estrangeiro, a um inglês por exemplo, o que ele diz quando sente falta de algo ou de alguém. “I miss…” – será a resposta dele. Depois tentem – tentem apenas – explicar-lhe o significado de saudade.
Mas existem outros casos que evidenciam o carácter genuíno da língua portuguesa. Vamos lá buscar o inglês novamente, chamemos-lhe Michael. Suponham que a meio da vossa tentativa de explicar-lhe o significado do sentimento e da palavra saudade, ele põe em causa a vossa nacionalidade, isto é, o cromo pensa que vocês estão a gozar com ele e questiona: «Are you really fuckin’ portuguese?».
Que expressão podem utilizar nestes momentos em que a vossa nacionalidade – um dos vossos motivos de orgulho, certamente – é posta em causa? Como provar ao Mike que são portugueses, dos genuínos?
- «Vai bardamerda pá!»
¹ Assumo aqui, através deste termo, uma atitude tipicamente peneirenta francesa.
² Vim parar aqui ao pesquisar por gafe.