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Archive for the ‘World Wide Web’ Category

A exposição da vida pessoal na Web 2.0

Apesar deste ser um blog pessoal, assumidamente pessoal, esta pode ser uma falsa característica, ou, falando em termos informáticos, um “falso positivo”. No que me diz respeito, o que considero mais pessoal é a minha vida familiar. Posso até referir uma vez por outra, num qualquer contexto, a minha mulher e a nossa filha, mas não falo propriamente da minha vida pessoal. Acredito que não é muito… vá lá, saudável digamos assim.
Os blogs, nesse sentido, não são muito diferentes da web social do mexerico, pois estes são muitas vezes utilizados para a partilha de experiências e vivências do âmbito pessoal, familiar, social e profissional – e de qualquer outro que vocês se lembrem entretanto. Mas, e ainda nos que respeita à blogosfera, até que ponto devemos expor-nos na web mesmo sem transmitirmos o estado civil, a idade, o livro e o filme preferidos, a música e a citação da praxe? Ainda neste contexto, onde se situará o limite aceitável relativamente à exposição da vida pessoal na Internet, ao lançá-la nas redes sociais como o hi5 e seus primos mais novos?
Caramba, ninguém anda na rua a dizer o seu número de telemóvel a todos os conhecidos com que se cruza, como se faz no Facebook, ou a dizer-lhes que está a caminho de uma reunião chata ou da casa-de-banho, como se estivesse no Twitter.

Categories: World Wide Web

WolframAlpha – Computational Knowledge Engine

Na minha opinião podemos classificar o Wolfram Alpha de “motor de perguntas” ou de “calculador de respostas”, penso que qualquer uma destas classificações é mais correcta do que “motor de busca”. Isto porque o conceito do Wolfram Alpha, lançado anteontem, dia 15 de Maio de 2009, baseia-se no retorno de respostas coerentes a perguntas factuais a ele colocadas, ao contrário do que acontece nos motores de pesquisa tradicionais (Google, Yahoo! etc) os quais retornam páginas ou ficheiros às pesquisas efectuadas.
No “cérebro” do WolframAlpha existem módulos dos mais variados temas, tais como: geografia; música; ciência; pessoas; história; clima; tecnologia; e por aí fora. Os resultados obtidos nas questões apresentadas não são inseridos por utilizadores – como acontece na Wikipedia, por exemplo -, mas sim aplicados por algoritmos que traduzem um conhecimento real, como o clima de uma determinada região do planeta ou equações matemáticas.
O WolframAlpha está a dar os primeiros passos e ainda não é perfeito, apesar de este ser um projecto que está a ser desenvolvido e preparado há já algum tempo, mas diz quem sabe que tem tudo para se tornar num elemento muito importante na busca pelo conhecimento via Internet.
Verifique alguns exemplos da potencialidade desta nova ferramenta online e o que poderá fazer com ela.

Internet (alhos) e World Wide Web (cebolas) no mesmo saco

Nos dias de hoje, onde o acesso à informação está à distância de um clique, não se justifica que muitos jornalistas transmitam, através dos orgãos de comunicação social, pois claro, notícias cujos conteúdos levam os cidadãos menos informados acerca do assunto noticiado a deduzirem que “alhos e cebolas são a mesma coisa”.
O que custa a qualquer pessoa que queira estar devidamente informada – principalmente quem trabalha no jornalismo, pois tem a obrigação de transmitir a informação com rigor e de acordo com a verdade dos factos – procurar informar-se, fazendo se necessário uma filtragem dos dados recolhidos na sua pesquisa, separando as informações correctas das menos correctas, de forma a estar devidamente esclarecida antes de noticiar o que quer que seja? Nada. Não custa nada. Não é uma questão de perder tempo, em meu entender, pois o saber não ocupa espaço, e o acesso à Internet, por exemplo, será pago no fim do mês, independentemente do número de pesquisas que se fazem.

Isto a respeito do 18º Congresso Internacional World Wide Web, a decorrer em Madrid.

A quantidade de confusões que já ouvi e li, esta manhã, em duas estações de rádio e em três jornais, deixou-me preocupado. Não apenas pelos erros no conteúdo da notícia em si – para muitos cidadãos e utilizadores de computador é indiferente se “Internet” e “World Wide Web (www)” têm conceitos diferentes, o que eles querem é que aquela merda funcione. O que me preocupa realmente é a possibilidade de ouvir ou de ler uma qualquer notícia, cujo conteúdo não me seja familiar, ou em relação ao qual eu não tenha conhecimentos suficientes de forma a poder interpretar o assunto da forma mais correcta.

Senhoras e senhores jornalistas, cujas reportagens eu não tive o prazer de ouvir e de ler esta manhã: Internet e World Wide Web são coisas diferentes. Estão interligadas, é verdade, mas se pretendem fazer o vosso trabalho com o mínimo de rigor, por favor não misturem “alhos com cebolas”. Evitem cair nesse erro, independentemente da notícia que pretendem transmitir.

Uma curiosidade:
“WorldWideWeb” (sem espaços entre as três palavras) foi o primeiro web browser e editor HTML (HyperText Markup Language) WYSIWYG (What You See Is What You Get) e corria numa plataforma NeXTSTEP. Foi conhecido em 1991, pelas mãos do cientista britânico Sir Tim Berners-Lee.
Mais tarde este web browser foi renomeado para Nexus, de forma a evitar confusões com World Wide Web (com espaços).

Categories: Internet, World Wide Web

World Wide Web faz hoje 20 anos

“Sempre que digitamos num browser ‘www’ estamos a usar uma tecnologia que foi inventada faz agora 20 anos. O seu criador, o britânico Tim Berners-Lee, está hoje no CERN, em Genebra, para recordar este momento fundador.”

Fonte: Expresso [Link para a Notícia]

Não confundir World Wide Web com Internet. Esta última existe há 52 anos.

Categories: World Wide Web

Conteúdos Web monitorizados nas escolas açoreanas

Na edição de hoje (PDF) do jornal Diário Insular vem em destaque, na primeira página, uma notícia que desencadeou alguma discussão em torno dela. Trata-se do facto da Direcção Regional da Educação (DRE) passar a monitorizar os conteúdos online das escolas da Região Autónoma dos Açores, bloqueando o acesso a determinados sites e domínios por parte dos alunos e dos professores. Esta notícia fez “mossa” ao ponto do editorial do jornal em questão dedicar uma palavras exclusivamente ao assunto.
Devido à monitorização dos conteúdos por parte da DRE, também já se falou em censura, numa rádio emitida a partir dos Açores. Vinha eu a caminho do trabalho, após o almoço, e ouvi a jornalista a comparar a atitude da DRE à censura que se pratica (também) nos acessos online na China – essa sim é real e já aqui escrevi sobre ela.

Pelo que li na notícia os conteúdos bloqueados estão relacionados com os seguintes temas: pornografia; actividade criminal; gambling (sorte no jogo, azar no amor); roupa interior; intolerância e ódio; download de toques e imagens para telemóveis; compras; violência e armas e, por último, URLs suspeitos de estarem relacionados a sites fraudulentos e a phishing.

Uniform Resource Locator (URL) é o sistema de endereçamento utilizado pela World Wide Web.

Curiosamente não li nada sobre instant messaging (ICQ, Windows Live Messenger, etc).

Posto isto chego à triste conclusão que eu sou, também, um ditador que impõe uma censura virtual aos utilizadores da empresa onde trabalho. Quase todos os temas que a DRE está a bloquear também eu os bloqueio, com excepção para “roupa interior”. E digo-vos mais: alimento com regularidade os URL set e Domain set dos conteúdos bloqueados, actualizando os respectivos ficheiros .xml, que contém todos os endereços que eu possa “apanhar” relacionados com o motivo de bloqueio. Eu e todos os administradores de sistemas que em consciência zelam pela segurança do parque informático do qual são responsáveis. Isto, meus amigos não é censura, é apenas segurança informática. E tenho a certeza que da parte dos técnicos que implementaram, por indicação da DRE, as políticas de acesso à Web, no caso referido pelo Diário Insular, a questão prende-se apenas nessa perspectiva.
Digo isto porque a jornalista que mencionei há pouco, comparou a “censura” da DRE à censura chinesa, durante uma entrevista efectuada ao coordenador técnico pela implementação das políticas de acesso em questão. O homem tentou fazer com que a senhora percebesse que os motivos que estão por trás da decisão da DRE deveriam ser colocados não a ele, mas a quem tem responsabilidades políticas nesta matéria. Tentou ainda esclarecer a jornalista numa perspectiva mais ou menos técnica¹, mas sem sucesso, visto que a mulher só via a censura à sua frente e ele não conseguiu transmitir de forma clara e objectiva do que se trata afinal o conceito de controlo de conteúdos em ambiente Web.

É claro que do ponto de vista dos alunos, dos professores e da opinião pública de uma forma geral, a segurança do parque informático, ou da Intranet (rede local) se preferirem, nada diz. E se disser, entra por um ouvido e sai pelo outro. Depois, se e quando houver azar e os sistemas ficarem infectados² ou serem alvo de invasão, com consequências que poderão ser desastrosas, aí sim vem mais uma notícia alarmante, referindo a falta de segurança nos computadores das escolas.

Bom, pormenores técnicos à parte, vamos ao que interessa às massas: a educação, ou não, dos nossos queridos alunos.
Antes de mais deixem-me dizer que é efectivamente um crime bloquear o acesso a um site pornográfico a um jovem de quinze, dezasseis ou dezassete anos de idade. No meu tempo tínhamos de pedir a um irmão, primo ou vizinho, maior de idade, que fosse à tabacaria comprar a «Gina» ou a «Tânia». Agora a miudagem tem tudo à borla e à distância de um clique (como tanto gostam de referir alguns políticos da nossa praça) para afinal de contas alguém chegar à conclusão que gajas nuas são uma ofensa à integridade moral dos nossos saudáveis jovens. Sinceramente.
Momentos de descontracção à parte, vamos, agora sim, ao que realmente interessa.
A Internet é mãe e madrasta em simultâneo. Tem tudo o que é bom e o que é mau, mas isso passa pela consciência e interpretação de cada um, desde que tenha capacidade para avaliar e reflectir sobre o que podemos aprender, ou não, na Internet e com a Internet.
Duvido que algum pai ou mãe de uma criança de oito, nove ou dez anos, acredite que o seu mais que tudo tenha algo de útil a aprender num site pornográfico, por exemplo. No referido artigo do Diário Insular, a determinado momento, colocou-se em questão a educação sexual, no sentido em que nesta disciplina um aluno tenderia a pesquisar, nos motores de busca, pela palavra “sexo” e ficar privado de consultar o resultado da pesquisa, devido precisamente à restrições de acesso à Internet. Ora temos então duas possibilidades de resolver este problema: ou voltamos à questão do “falso positivo”¹, na minha opinião a melhor opção; ou abre-se as portas da Internet, para o que der e vier, e dessa forma a criancinha terá respostas à sua questão francamente mais esclarecedoras do que ela poderia algum dia imaginar.
Se a minha filha, aos onze ou doze anos, tiver a possibilidade de aceder a sites pornográficos na escola, com base na justificação que se trata de educação sexual, então prefiro que essa educação seja proporcionada apenas em casa. É necessário que as crianças não confundam sexualidade com as expressões deprimentes da pornografia e da exploração do corpo humano. A sexualidade e a nudez podem ser belas e cativantes, já a pornografia tenho as minhas dúvidas.

Em relação aos restantes temas bloqueados, a minha opinião vai um pouco de encontro ao que penso em relação ao tema prostituição, separando, como é óbvio, as diferentes razões que se prendem com o motivo do bloqueio de cada um deles.
Imagino muita boa gente que critica a monitorização dos conteúdos online nas escolas, mas se tiverem a possibilidade de privar os seus filhotes, nos seus próprios lares, dos mesmos conteúdos, fá-lo-ão. Se calhar não o fazem porque não sabem e dá muito trabalho a aprender. Tudo bem, as novas tecnologias são muitas vezes um bicho de sete cabeças para as gerações menos jovens e, em consequência disso, haverá muitos pais e mães que optam por não monitorizar o que os filhotes mais novitos fazem na Web. Mas há sempre aquele primo, vizinho ou amigo, que dá uns toques no computador e poderá facilitar essa tarefa aos pais da criança, instalando e configurando uma solução de controlo de conteúdos. Eu próprio já o fiz, a pedido de pais que têm filhos pequenos em idade de começar a explorar a Internet.

Mas como a Internet não serve apenas para os filhos, sugiro aos pais, novos e velhos, e a quem muitas vezes critica de forma hipócrita a monitorização da navegação online das crianças, as seguintes visitas: InternetSegura.pt; InternetSegura.org; EU Kids Online e SeguraNET.

Por último gostaria apenas de referir que penso que seria mais viável, em termos práticos e no sentido de um acompanhamento mais próximo aos professores, que a gestão das políticas de acesso à Internet fosse feita localmente, isto é, em cada escola. A DRE poderia ter uma palavra a dizer neste sentido, concordo, mas o que a experiência me diz, enquanto administrador de sistemas, é que na prática este tipo de tarefa deve ser feito por quem tem um contacto directo e diário com a realidade da rede informática e com as necessidades efectivas dos utilizadores dessa rede.

¹ Muitas vezes ao bloquear determinado acesso, bloqueia-se igualmente outro que à partida não seria necessário. Para isso há que editar a regra de bloqueio, permitindo dessa forma o acesso a determinado site que se encontra fora do âmbito da política de acessos. Em terminologia informática estes casos são designados de “falsos positivos”.

² Poderá o leitor colocar a questão da segurança noutro termo: e as PENs (flash drives) e outros suportes digitais? Não são uma ameaça também à propagação de malware nos computadores das escolas? São, com certeza que são. Mas estamos a falar da World Wide Web e maior fonte de porcaria infecciosa digital não há.

Categories: Internet, World Wide Web